Desvendando o silêncio financeiro feminino

Desvendando o silêncio financeiro feminino

Desvendando o Silêncio Financeiro Feminino e a importância da Educação Financeira.

O tabu em torno do dinheiro tem ecoado por gerações, sendo um tema muitas vezes evitado nas conversas cotidianas. No entanto, as mulheres, em particular, enfrentam desafios singulares ao discutir finanças, mesmo em meio aos avanços sociais e econômicos, uma questão persiste e muitas vezes silenciada: a dificuldade que as mulheres enfrentam ao falar sobre dinheiro. Essa resistência não é casual, mas sim um reflexo complexo de fatores que incluem o machismo estrutural, questões sociais e psicológicas intrincadas. 

Machismo estrutural

O machismo, enraizado nas estruturas sociais há séculos, influencia a relação das mulheres com o dinheiro. Em muitas culturas, as mulheres historicamente foram relegadas a papéis domésticos e muitas vezes direcionadas a acreditar que não são tão habilidosas ou interessadas em questões monetárias quanto seus colegas masculinos. Essa dinâmica persistente cria uma barreira psicológica, tornando difícil para as mulheres expressarem abertamente suas preocupações e necessidades financeiras o que contribui para a falta de confiança que muitas mulheres sentem ao discutir sobre dinheiro.

A desigualdade salarial também desempenha um papel significativo. Quando as mulheres recebem salários inferiores aos homens pelo mesmo trabalho, o estigma associado à falta de poder financeiro as impede de discutir abertamente sobre dinheiro. O medo de serem julgadas ou subestimadas perpetua o ciclo do silêncio financeiro feminino

Questões sociais

As expectativas sociais moldam as interações diárias das mulheres com o dinheiro. A pressão para se encaixar em padrões tradicionais de feminilidade muitas vezes desencoraja a busca ativa por independência financeira. A dependência financeira é muitas vezes associada à estabilidade emocional e social, criando uma resistência inconsciente em questionar ou discutir as questões financeiras de maneira aberta. 

Além disso, as mulheres enfrentam obstáculos quando tentam ingressar em setores predominantemente masculinos, o que pode resultar em sentimentos de inadequação ou síndrome da impostora. Essa insegurança pode impactar diretamente a capacidade de falar abertamente sobre dinheiro, especialmente quando se trata de negociações salariais ou investimentos. 

Questões psicológicas

A psicologia por trás do silêncio financeiro feminino é multifacetada. Estudos indicam que as mulheres muitas vezes têm uma relação emocional mais complexa com o dinheiro, associando-o a segurança, estabilidade e, por vezes, autoestima. A exposição a mensagens sociais que valorizam mais a aparência física do que a inteligência financeira contribui para esse fenômeno. 

Além disso, a falta de educação financeira gera inseguranças e desconhecimento, dificultando a participação plena em conversas sobre dinheiro.

Mulheres pretas como provedoras

Mulheres pretas, historicamente, têm enfrentado desafios únicos relacionados ao acesso financeiro. Muitas vezes, são as principais provedoras em seus lares, mas, paradoxalmente, enfrentam dificuldades em serem reconhecidas e valorizadas monetariamente. As barreiras estruturais, como o racismo sistêmico, contribuem para limitar as oportunidades de mulheres pretas no mercado de trabalho, influenciando diretamente em sua capacidade de gerar renda e acumular riqueza.

Outro fator a ser observado são as disparidades entre as experiências de mulheres pretas e brancas em relação ao acesso financeiro que são evidentes. Mulheres brancas geralmente enfrentam menos obstáculos para alcançar cargos de liderança e obter salários mais altos. Enquanto isso, mulheres pretas se deparam com discriminação racial no ambiente de trabalho, limitando suas oportunidades de crescimento profissional e, por conseguinte, seu acesso a recursos financeiros.

Assim, a dificuldade das mulheres em falar sobre dinheiro é uma complexa interseção de fatores, desde o machismo estrutural até as desigualdades sociais e raciais. Ao desvendar essas questões, podemos começar a promover uma cultura mais inclusiva e aberta, incentivando as mulheres a se empoderarem financeiramente e a superarem os desafios impostos pelo sistema. Falar sobre dinheiro é um passo crucial em direção à igualdade de gênero e racial, capacitando as mulheres a assumirem o controle de suas vidas financeiras.

Izabel Rocha

Mestra em Administração com ênfase em Finanças. Pós-graduada em Controladoria e Finanças e Administração da Produção e Gestão da Produtividade. Professora Universitária das áreas de Economia, Administração e Recursos Humanos em universidades como: Live University e Cruzeiro do Sul. Experiência profissional de mais de 20 anos em áreas Administrativas, Fundos de Pensão, Gestão de Pessoas & Suprimentos em empresas multinacionais tais como: TechnipFMC, Hyundai, C&A, Ford e JBS.

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01 Comentário

  1. Debora Barros
    5 meses atrás

    Izabel, você foi cirúrgica com esse texto! Falar sobre esse tema traz (re)conhecimento para todas nós e isso nos coloca no patamar de questionadoras. É a partir disso que começamos a mudar nossa relação com o dinheiro e consequentemente o de todos a nosso redor.

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