Uma história construída com educação financeira

Uma história construída com educação financeira

Olá, querida leitora! Tudo bem? Você já ouviu a expressão que crescer dói?

Esta é uma grande verdade! Crescer significa fazer escolhas. E ao fazer uma escolha, significa que você terá que abrir mão de algo. E, após 3 anos (completos em outubro) de Prateleira de Mulher, que agora ganhou uma nova edição que chama-se Dona de Mim, é com sentimentos contraditórios, a alegria da vitória e a dor do crescimento que eu me despeço de você.

Mas, não vou te deixar sozinha! Para que você permaneça cuidando de suas finanças, eu passo o bastão para uma pessoa muito especial: minha amiga, a também economista e mulher preta, Izabel Rocha!

A você, querida leitora, minha gratidão, carinho e o desejo de uma vida próspera. Eu acredito demais que o caminho para o crescimento feminino é traçado em conjunto! Mas acima de tudo acredite em você. Nem seus próprios sonhos podem te limitar. Por isto, não limite seus sonhos e sim desafie seus limites!!

Izabel, a coluna é tua!! Sucesso!!

Dirlene, Obrigada pelas palavras e muito sucesso em sua jornada!!! Escrever sobre finanças é um grande desafio, ainda mais no Dona de Mim, sucedendo a Dirlene, é uma responsabilidade enorme!!! Mas vamos lá!

Vou começar me apresentando. Sou Izabel Rocha, economista, mestra em administração, estudo finanças comportamentais, especialmente o comportamento das pessoas na tomada de decisão em relação ao dinheiro.

Aliás, essa é uma questão importante, porque, temos um tabu para falar sobre dinheiro, não é? Principalmente nós mulheres, parece que a questão financeira foi delegada aos homens e nós não podemos ser donas do nosso próprio dinheiro. Mas eu gostaria de contar uma história para vocês. Venho de uma família preta, matriarcal, onde minha avó Ivone, fez uma grande mudança: ela se separou do meu avô quando minha mãe tinha 2 meses. Vovys tem hoje 91 anos, ou seja, há 70 anos.

Ambos trabalhavam na roça, no interior de São Paulo, e um dia ele não quis mais trabalhar, mentia que ia para o trabalho, mas nada. Minha avó já tinha minha tia e estava grávida de minha mãe, assim, quando mamys nasceu, minha avó conversou com ele e ele confirmou que não iria trabalhar mais não. Vovys então se separou dele, ele voltou 2 meses depois para visitar as filhas e nunca mais apareceu. O que vovys fez? Uma mulher, preta, semianalfabeta e separada? Trabalhou, passando roupas, na roça, como cozinheira em casa de família, mas sustentou sua família e conseguiu atingir seu objetivo: comprar uma casa para cada filha.

Essa atitude da minha avó lá na década de 1950, mudou toda nossa estrutura familiar, minha mãe é uma mulher independente, decidida e criou a mim e meus irmãos da mesma forma. Em nossa casa mamys e papys, José Roberto, sempre nos falaram sobre dinheiro, ou melhor, da falta dele, sempre sabíamos o que podia comprar ou não e quais eram os motivos. Lembro de inúmeras vezes os dois conversando sobre dinheiro e minha mãe com um caderno e sua lista de despesas, seu extrato bancário e conferindo. Gente, mamys é ótima em organização financeira, sempre muito organizada, pagava as nossas contas da casa e fazia verdadeiros milagres com o nosso orçamento sempre escasso.

Mas a situação financeira muito justa, não nos impediu de realizar os sonhos deles para nós: os estudos sempre foram prioridade, papys trabalhava como segurança, cortava árvore, carpia quintal, abria piscina, mas sempre tínhamos material escolar, comida, brinquedos e principalmente harmonia. Esse é um fato importante para mim, a renda justa, às vezes faltando, nunca foi motivo de tristeza, muito pelo contrário, sempre fomos e ainda somos uma família alegre, festeira (adoramos festas), mas sempre muito conscientes desse lugar do dinheiro. Neste momento, gostaria de ressaltar a importância de minha mãe nesse processo: ela sempre foi e ainda é muito atenta a tudo, assim, esse lugar de controlar as finanças sempre foi dela, que nessa época, quando éramos crianças e adolescentes, não havia nem terminado o primeiro grau, mas que o fez e muito mais, terminando o curso técnico em administração do Senac aos 60 anos, um espetáculo, não é?

Apesar de sua pouca instrução formal, a sabedoria é ancestral, e a forma com que vovys conduziu sua família, sozinha, fez com que mamys tivesse esse conhecimento e assim, conseguindo conduzir as nossas finanças de forma majestosa, nos trazendo até aqui, com os três filhos com curso superior e duas filhas com Mestrado.

Para mim, falar de finanças, estudar finanças é algo maravilhoso, e ter a oportunidade de compartilhar essas experiências com vocês será extremamente gratificante, e vamos continuar o legado de Dirlene, falando de finanças e educação financeira real e que às vezes significa apenas anotar as despesas num caderno (como mamys faz até hoje 😊) e acompanhar mensalmente, já pode fazer toda a diferença entre eu saber ou não quais são as suas despesas x salário, o que posso  ou não comprar e principalmente dizer para seus filhos, hoje não podemos, explicar o motivo e quando puder comprarei. Afirmar que não tem dinheiro naquele momento, não é nenhum demérito, muito pelo contrário, é criar filhos conscientes, sabendo que a vida vai lhes dizer muitos nãos, muitas frustrações e é preciso lidar com as mesmas, pensando e trabalhando em alternativas para ter uma situação financeira diferente, mas ensinar que a única forma de ascensão social é através da educação e incentivá-los, apesar das inúmeras dificuldades pela longa caminhada.

Educação sempre e sigamos!!!!
Até a próxima

Izabel Rocha

Mestra em Administração com ênfase em Finanças. Pós-graduada em Controladoria e Finanças e Administração da Produção e Gestão da Produtividade. Professora Universitária das áreas de Economia, Administração e Recursos Humanos em universidades como: Live University e Cruzeiro do Sul. Experiência profissional de mais de 20 anos em áreas Administrativas, Fundos de Pensão, Gestão de Pessoas & Suprimentos em empresas multinacionais tais como: TechnipFMC, Hyundai, C&A, Ford e JBS.

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3 Comentários

  1. Debora Barros
    7 meses atrás

    Que linda a passagem de bastão que aconteceu aqui <3
    Me emocionei com esse texto, além de sair super motivada. Bem vinda Izabel e até logo Dirlene, obrigada por tanto!

    • Dirlene Silva
      6 meses atrás

      Dé! Jamais te esquecerei, viu? Foi tuas palavras que me impulsionaram a contar a minha história. Gratidão!! Tu estás na meu coração ❤️

  2. Laine Ventura
    7 meses atrás

    Parabéns pelo artigo, Izabel!
    Que essa leitura traga novos horizontes e muita inspiração para todos, assim como trouxe para mim.

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